13/01/10

O cabelo nos versos musicais

O cabelo é uma rica inspiração para os músicos há tempos. “Cabelo, cabeleira, cabeluda, descabelada”; “Olha a cabeleira do Zezé, será que ele é, será que ele é?”; “Nega do cabelo duro, qual é o pente que te penteia?”; “Nega do cabelo duro, que não gosta de pentear, quando passa na baixa do tubo, o negão começa a gritar”; “Debaixo dos caracóis dos seus cabelos”; “O teu cabelo não nega mulata, porque és mulata na cor”; “Vou mandar um papo reto, gatinha vê se me escuta; Se você fez escova vê se leva o guarda chuva! Ee choveu! Cabelo encolheu todinho”. Algum desses versos já passou pelos seus ouvidos certamente. Agora temos mais um nome para integrar a galeria capilar musical: João do Morro, diretamente de Pernambuco, com o ótimo “Balaiagem”. Entrem no ritmo e divirtam-se!

Por Daniela Salú às 22h03
05/01/10

O drama das fotos para documento

Como boa capricorniana, aproveitei o primeiro dia útil do ano para resolver um problema burocrático – fui cuidar da renovação do meu passaporte. Com o calor infernal que domina São Paulo ultimamente, acabei saindo de casa com o cabelo molhado, sem coragem de encarar o secador.

Descobri que agora não é mais necessário levar foto para o documento. A imagem é feita na hora pelo pessoal da Polícia Federal. É aí que mora o problema, pois cabelo crespo é uma caixinha de surpresas: você nunca sabe de que jeito ele vai secar. Quando vi minha foto no computador atendente, quase tive um treco – com aquele cabelo, não me deixariam entrar em nenhum país! Simpática e solidária com a minha crise capilar, a moça me deixou fazer outra foto. Verdade que não melhorou grande coisa, mas meu consolo é que não viajo tanto para relembrar mais esse momento descabelado da vida com frequência.

Se servir de conselho para quem também quer aproveitar o início do ano para colocar a burocracia em dia, além de sair de casa com o cabelo seco, vale a pena levar na bolsa um leave-in para tirar o arrepiado, algum acessório para prender os fios e um espelhinho. E claro, contar com a compreensão das autoridades para ficar bem na foto!

 

Por Daniela Salú às 19h10
17/12/09

Futebol arte (capilar)

 

O post anterior sobre o cabelo de Marília Gabriela em "Cinquentinha" gerou uma série de críticas de leitores. Bom, não vou contestar, afinal, gosto é gosto e eu continuo achando o penteado dela superbacana, mas, vou falar de outro cabelo que recentemente casou muito mais polêmica: o aplique do jogador Richarlyson, do São Paulo. Bom, não entendo absolutamente nada de futebol, mas sei que os jogadores são mestres em criar visuais absurdos que acabam tornando a partida mais divertida para leigas como eu que não dão a mínima para o resultado do jogo. A Folha Online fez um vídeo relembrando alguns cortes marcantes dos campos. Isso sim é o verdadeiro futebol arte - divirtam-se!

Por Daniela Salú às 21h04
11/12/09

Frisado de Marília Gabriela em “Cinquentinha” é opção interessante para crespas

Quando eu era criança o SBT reprisava sem parar um filme chamado “Tuff Turf – O Rebelde”. Além do James Spader, que eu achava incrível, o que mais me chamava a atenção era o cabelo loiro, liso e imenso da garota que ele disputava no filme, e que, em algum momento, aparecia com os fios inteiramente frisados. De lá para cá nunca mais achei que iria gostar de um cabelo assim, e considerava o frisado tão datado quanto os filmes de gangues juvenis do SBT – apesar de alguns retornos nas passarelas de moda. Até que me deparei com a personagem de Marília Gabriela na minissérie “Cinquentinha”, que estreou na última terça-feira (8) na Globo. Na trama, a atriz interpreta a descolada fotógrafa Mariana, e exibe um cabelo quase totalmente frisado, com exceção da franja e de uma mecha lateral lisos no meio de todo restante crespo.

Segundo Carmen Bastos, responsável pela caracterização de “Cinquentinha”, por ser um trabalho com muitas externas e que depende de agilidade, o frizz deu praticidade e um movimento diferente à profissional. Talvez a elegância natural de Marília Gabriela tenha ajudado a tornar o penteado mais interessante, mas de qualquer modo, achei uma ótima inspiração para as crespas que gostam de experimentar novas ideias. Ah, e para quem gosta de teledramaturgia, a minissérie também é bem divertida!

Por Daniela Salú às 16h38
07/12/09

O cabelo crespo no fim de ano

Dezembro é o mês em que entramos na histeria coletiva do Natal / Réveillon / viagem de férias. Como se não bastasse a correria pela compra de presentes, comemorações no trabalho, planejamento de viagens etc, nós crespas ainda temos um fator extra de preocupação: como deixar o cabelo minimamente apresentável durante este período com tantas ocasiões festivas?

A primeira opção da maioria é correr para a chapinha e ficar despreocupada e lisa. Sou contra essa alternativa por dois motivos: primeiro, porque não gosto dessa estética padronizada que tomou conta da sociedade. Segundo, porque optar pela chapinha significa encarar algumas limitações. No caso da simples, é ter de fugir de qualquer umidade, isso em uma época em que o calor nos faz transpirar loucamente, chove o tempo inteiro e piscina e praia são inevitáveis. Já no caso da progressiva, segundo o cabeleireiro Murilo de Souza, do MG Hair Design, em São Paulo, não é a melhor época para fazer este procedimento. Ele disse que a química deixa os fios ainda mais sensíveis, aumentando a possibilidade de ressecamento e quebra nos banhos de mar e piscina.

Para as cacheadas e crespas que querem um fim de ano sem complicações, eu recomendo um ritual que adotei após assumir meus fios ao natural: antes da exposição ao sol, água do mar e da piscina, use um protetor solar próprio para os fios, um leave-in ou um creme para pentear. Não dá muito trabalho e vai fazer diferença na saúde do cabelo. Para quem gosta de acessórios, chapéus, bonés e lenços também ajudam a proteger o cabelo nessa época de sol escaldante o dia todo, e ainda podem deixá-la bem estilosa. Outro item que gosto de levar na bolsa é um spray borrifador com água, para tirar o sal ou cloro do cabelo. Depois de umas boas borrifadas, é só reaplicar o creme protetor nos fios, assim como fazemos com o protetor solar na pele após cada mergulho.

Passada a farra aquática, vale usar um bom trio de xampu, condicionador e leave-in que deixem o cabelo bem hidratado. Aproveite o calor para secá-lo naturalmente – ninguém merece ficar fritando a cabeça com um secador em pleno verão. Amasse os fios ainda úmidos para definir os cachos, enquanto aplica o produto após o banho. Use faixas, grampos, presilhas, enfim, faça experiências em frente ao espelho e descubra o que fica bem para você. É hora de relaxar e sair da rotina, e não ficar esquentando os neurônios para deixar a aparência irretocável.

Como último estímulo para animar as que ainda têm medo de sair por aí com o cabelo natural, vou contar uma história. Este final de semana encontrei uma amiga querida que não via há meses, a Bel Ascenso, editora de beleza da revista Elle. Feliz da vida, ela desfilava com seus cachos recém-assumidos após uma longa temporada de escova/chapinha. Bel disse que até desconhecidos elogiaram a sua mudança de look, e não tiro a razão deles: os fios estavam com um aspecto bem hidratado e saudável, e ela ganhou um ar mais jovial.

Às vezes, ficamos com tanto medo de mudanças, que não conseguimos ver que a beleza pode estar nas alternativas mais simples. Corra o risco, e quem sabe você não começa 2010 de cabelo novo, mais feliz e despreocupada?

Por Daniela Salú às 20h37
30/11/09

Penteados, festas e vento

No último sábado tive um casamento – e com ele, a sempre difícil missão de fazer um cabelo decente para a ocasião. Na minha incessante cruzada pelo orgulho crespo, decidi simplesmente passar uma bola de mousse e secar os fios com difusor, virando a cabeça para baixo de modo a reforçar o volume. No final das contas, o efeito nem foi tão juba de leão quando imaginei (coisas de cabelo crespo, parece que os fios têm vontade própria!), mas descobri que o mais complicado não é fazer o cabelo, e sim mantê-lo.

Começou no carro, já que estava calor, e na falta de um ar-condicionado, só restava a janela para ajudar a refrescar. É aí que fica evidente uma das diferenças fundamentais entre cabelos lisos (naturais) e ondulados/crespos: quando bate um vento no primeiro, você sabe que os fios sempre vão voltar para o lugar de origem. Já no segundo caso... Bom, para não chegar à festa parecendo a Lady Gaga em seus piores dias, passei pelo ridículo de só abrir o vidro quando parava nos semáforos.

Chegando ao local do casório, descubro que a cerimônia iria rolar ao ar livre, e como um profissional de voo que analisa as condições do vento para evitar uma tragédia, lá fui eu me posicionar de modo que o cabelo não desmanchasse completamente antes da noiva chegar. Apesar de ficar meia hora virada para o mesmo lado, deu tudo certo, e passei mais uma etapa no desafio “cabelo crespo em festas”.
 
Com o avançar da hora, e o aumento de álcool no sangue, acabei decidindo que já era o momento de me jogar na pista e deixar tudo desmontar. Afinal, sem um pouco de desprendimento, não se aproveita o melhor da vida. E um cabelo despenteado é tão socialmente aceito nessas horas quanto uma maquiagem derretida, um pé cansado sem salto e um entusiasmo etílico que vai custar alguma dor de cabeça no dia seguinte, mas passa!

 

Por Daniela Salú às 18h50
22/11/09

Quem nunca errou que atire o primero mullet

No meu post anterior eu resolvi contar uma pequena parte das besteiras que já fiz com o meu cabelo ao longo da vida. Gostei de ver como várias pessoas tomaram coragem e se abriram também, dividindo com os demais leitores suas histórias capilares bizarras. Agora, coragem mesmo tem o pessoal deste site: http://dontjudgemyhair.com/

 

Vou já avisando – ele é altamente viciante! Sabe aquelas fotos que você reza para queimarem um dia em combustão espontânea? Imagine-as publicadas na internet. Pois é, mas acredite, existem pessoas que mandam imagens com seus piores cabelos para serem avaliados pelos leitores do Don’t Judge My Hair, ou ainda, fotos de outras pessoas. O resultado é uma galeria da mais variada, de cortes errados a verdadeiras esculturas capilares megatrabalhadas. Vale a pena visitar. E levantar as mãos aos céus se você, como eu, cresceu na era pré-câmera digital!

 

Por Daniela Salú às 22h30
14/11/09

As coisas ridículas que fazemos pelos nossos cabelos

Nunca tive medo de fazer experiências no meu cabelo. Desde muito cedo, copiava as receitas que via nas revistas, passando as mais absurdas misturas nos fios em busca de mais maciez. Comecei a pintar o cabelo com uns 13 anos, e fora o loiro (afinal eu sabia que ficaria parecendo o pagodeiro Belo), usei todas as cores que a minha vontade deixou. Em termos de corte, seguia a filosofia “cabelo cresce” e vivia picotando os fios nos moldes mais bizarros que podia. Todo mundo já fez algo ridículo no cabelo – ou pelo cabelo. No meu caso, a lista é grande, mas, olhando para trás, o que mais me deixa indignada comigo mesma, não foram as colorações verde-vômito ou o corte máquina 2 quase careca, mas sim as bobagens que fiz para tentar deixar o cabelo liso a qualquer preço. Fiz uma lista de algumas situações que me vieram à cabeça para dividir com vocês. Hoje, relembrando, dá vontade de rir, mas na época, pareciam questões de vida ou morte:

 

- Na era pré-chapinha, um clássico na minha casa era dormir com os cabelos enrolados em volta da cabeça, com uma touca feita de meia-calça para segurar os fios no lugar e acordar lisa e linda. O problema é que, durante a noite, minha mãe e eu ficávamos parecendo trombadinhas com esse visual!

 

- Uma vez, passei um ano novo em uma chácara de um amigo lutando para conseguir aproveitar a piscina sem molhar o cabelo (escovado, claro). O que me consola é que não fui a única crespa a não dar um mergulho para preservar o penteado!

 

- Perdi a conta das vezes em que fiz uma escova e passei uma semana me segurando para não lavar o cabelo e perder o efeito, mesmo com a cabeça coçando loucamente!

 

- Em outra ocasião, pedi para minha amiga Milena fazer uma escova antes de irmos para uma festa, mas meu cabelo ficou parecendo um capacete e tive de molhar e dar uma outra solução – que nem consigo lembrar agora qual foi – para conseguir sair sem querer enfiar a cabeça em um saco de supermercado!

 

- Em tempos mais remotos ainda, eu tinha a certeza de que um tal óleo bifásico para o cabelo vermelho e amarelo, acho que se chamava Quina de Petróleo, seria a salvação dos meus fios. Empastelava o cabelo com ele e saía feliz, fritando debaixo do sol!

 

- Passei anos impedindo qualquer um de tocar no meu cabelo por causa da quantidade absurda de finalizadores que eu usava para blindá-lo em um formato que eu considerasse adequado. Imagine o quão inflamável era esse cabelo!

 

- Outra vez, resolvi fazer um relaxamento. Fiquei super animada ao sair do salão, percebendo como o volume tinha sumido. O problema é que, nos dias seguintes, fui vendo o cabelo ficar seco e sem vida, e como meu corte estava na altura do queixo, eu parecia o Agostinho da “Grande Família” – com a diferença de que o Pedro Cardoso tem cabelo liso de verdade, com brilho e movimento. Imaginem o resultado no meu caso...

 

Bom, espero que essa lista de micos ajude outras crespas que ainda deixam de aproveitar bons momentos para tentar manter o visual impecável a qualquer preço. Se jogar de cabeça em uma boa piscina no calor não tem preço, mesmo que a gente fique um pouco Maria Bethânia no final! E se você tem uma boa história para contar, não deixe a gente na curiosidade!

Por Daniela Salú às 15h36
06/11/09

Documentário “Good Hair” analisa o cabelo afro-americano

Estreou no mês passado nos Estados Unidos o documentário “Good Hair”, do comediante Chris Rock. O filme usa o humor para analisar a indústria de produtos de cabelos para negros, os aspectos culturais e comportamentais dos cabelos afro-americanos e as dificuldades que as mulheres enfrentam para exibirem cabelos lisos.

 

A cineasta Regina Kimbell, autora do documentário “My Nappy Roots” (2006), acusou Chris de plágio, afirmando que ele copiou partes de seu trabalho em “Good Hair”. O comediante alega que sua inspiração partiu de sua filha de 7 anos, ao lhe perguntar: “papai, por que eu não tenho cabelo bom?”

 

Independente da briga judicial que envolve as duas produções, acho ótimo ver que o assunto está ganhando espaço e visibilidade na mídia. O filme de Chris Rock ainda não tem previsão de estreia no Brasil, mas para quem quiser matar um pouco da curiosidade, vale conferir o trailer. É possível ter uma boa ideia do que vem por aí.

 

Por Daniela Salú às 13h18
04/11/09

Uma entrevista com a rainha dos cachos

A libanesa Ouidad virou uma especialista em fios cacheados por conta da sua própria história de vida. Como tantas outras crespas, ela sofreu na infância com a falta de conhecimento de sua mãe sobre como lidar com o seu tipo de cabelo, resultando em looks nem sempre animadores. Ouidad acabou transformando essa experiência no seu trabalho. Em 1984 ela abriu em Nova York o primeiro salão dos Estados Unidos especializado em cachos, com direito a uma grande linha de produtos e acessórios com sua marca. Atualmente, ela assina em parceria com a Seda a linha Cachos Comportados, da qual já falei em outro post. Infelizmente ela não esteve ainda no Brasil para aconselhar as cacheadas daqui, mas respondeu prontamente às perguntas que enviei por e-mail:

 

Qual é a capacidade que um xampu e um condicionador têm de ajudar no tratamento dos fios, levando-se em conta que são produtos que agem por apenas alguns minutos no cabelo?

 

Não subestime o poder de nutrição de um shampoo ou condicionador. Seu cabelo precisa de ingredientes essenciais para crescer forte e bonito! Eu geralmente recomendo hidratação intensiva duas ou três vezes por semana, combinada com um bom condicionador de uso diário.

 

Quais são as principais queixas que você ouve a respeito dos cabelos crespos e quais são as suas sugestões para resolvê-las?

 

As pessoas acham que os cachos são mais resistentes e por isso sobrecarregam o cabelo, causando mais danos. A realidade é que o cabelo crespo é muitas vezes bastante fino e frágil. Trabalhe com seus cachos, não lute contra eles! Não há nenhuma solução rápida para frizz - alimente o seu cabelo de dentro para fora.

 

O Brasil é um país onde a maior parte das pessoas que possui cabelos cacheados quer alisá-los. Você percebe esse comportamento como uma tendência mundial ou há locais onde os cachos são mais valorizados pelas mulheres?

 

Os cachos devem ser valorizados em todo lugar – a minha filosofia é que as meninas deveriam abraçar seus cachos! A tendência agora é que eles pareçam mais naturais. O sol e o calor intensos podem, obviamente, danificar os cabelos crespos, mas basta protegê-los para que eles pareçam sempre bonitos.

 

Finalizadores são essenciais para cabelos cacheados, ou há algum meio de apenas lavar e sair com os fios ao natural sem que eles se tornem rebeldes ou arrepiados?

 

Produtos styling podem ser úteis para domar seus cachos, no entanto, sempre que possível deixe o cabelo secar naturalmente. Os cabelos cacheados nunca devem ser escovados quando molhados. Evite passar as mãos excessivamente nos fios para não interferir no padrão natural das ondas, criando assim volume e frizz indesejados.

 

Quais são as mudanças mais importantes na fórmula da linha Seda para cabelos cacheados que ajudam a fazer a diferença nos fios?

 

A formula da linha Cachos Comportados ganhou um novo ingrediente, a Hydro Elastina, que nutre e dá elasticidade aos cachos, deixando-os com ondas mais definidas e uniformes.

 

Para quem quiser saber mais sobre Ouidad, vale a pena visitar o site dela (em inglês), cheio de dicas bacanas e fotos no estilo “antes e depois” que mostram como é possível assumir os cachos com beleza e naturalidade: www.ouidad.com 

Por Daniela Salú às 13h40
28/10/09

Secagem para valorizar os cachos

 

Passei muitos anos da minha vida sem acreditar na necessidade de usar o difusor para secar o cabelo cacheado. Um dos motivos é que eu sempre preferi deixar os fios secarem ao natural, traumatizada com o calor do secador que tanto tostou meu couro cabeludo em épocas em que eu era dependente da escova. Com a onda de frio que rolou em São Paulo, fiz as pazes com o secador para não enfrentar o vento com o cabelo molhado, e venho tentando descobrir a melhor maneira de secar meus cachos sem fritar a cabeça nem deixar a cabeleira ainda mais volumosa.

A cabeleireira Juliana Marques Padovan, do Seda Urban Salon, me deu alguns conselhos preciosos para esta tarefa. Em primeiro lugar, ela ensinou que a velocidade do secador deve ser baixa e a temperatura morna. “Amasse uma mecha do cabelo com a mão e encaixe o difusor com o secador desligado, daí então ligue e deixe-o parado por alguns segundos”, disse. Depois desligue e vá para outra mecha, até completar todo o cabelo. Segundo Juliana, com a temperatura mais amena, não há problema em ficar com o aparelho direcionado nos fios, e a velocidade baixa evita o aspecto arrepiado. Pode parecer demorado secar o cabelo deste modo, mas não é preciso ficar com o secador na cabeça até evaporar a última gota de água, afinal, o processo é diferente de uma escova, que precisa eliminar toda a umidade para manter o fio retinho.

Vale lembrar que é bastante recomendável usar um produto termoprotetor antes da secagem. Para quem quiser dar um toque final de brilho e abaixar eventuais fios arrepiados, um sérum cai bem – sem exageros, para o cabelo não parecer oleoso. Passe na palma da mão uma pequena quantidade e espalhe nos fios com suavidade, sem desmanchar os cachos.

Eu já testei esse método de secagem duas vezes. Na primeira me assustei, pois achei que o cabelo ficava ainda mais volumoso, mas foi só uma primeira impressão. Após alguns minutos, os fios acabam baixando e o visual “juba de leão” desaparece. Na segunda vez quis fazer algo que a cabeleireira havia sugerido justamente para valorizar o volume: sequei todo o cabelo virada de cabeça para baixo. Daí ficou um efeito bem volumoso, que no final das contas, acabei achando bonito e deixei. Em se tratando de cabelo crespo, um dia nunca é igual ao outro. É só escolher se você quer encarar isso de uma forma positiva ou negativa.

 

Por Daniela Salú às 21h38
24/10/09

Tratamento de choque

Tenho o hábito de sempre revezar xampus. Quando olhamos as prateleiras dos supermercados ou farmácias em busca de um produto, dá uma dúvida danada, afinal, o mesmo cabelo pode ser seco, cacheado, quimicamente tratado, colorido, etc. E não há um só xampu que atenda a todas essas necessidades. Por isso, procuro usar sempre dois diferentes, em dias alternados – além de um de limpeza profunda semanal para tirar os resíduos dos demais. Atualmente, estou alternando a linha Seda Cachos Comportados, da qual já falei em outro post, com a linha Choque Regenerativo da Natura Plant. Esses produtos da Natura são recomendados para cabelos danificados e prometem recuperar os fios de estragos causados por diferentes fatores, como vento, sol, procedimentos químicos, coloração e alisamento.

 

Estou testando os produtos há cerca de três semanas e achei o resultado bem satisfatório. Sinto os fios mais macios e hidratados após o banho, e uma pequena quantidade rende bem. A linha é composta por um Shampoo Condicionante (R$ 11,10); Creme Prolongador (R$ 21,20); e Kit Máscara Regeneradora + Sérum (R$ 29,50). Como não há condicionador, após o xampu o ideal é usar a máscara regeneradora, que deve ficar no cabelo por três minutos (aproveite para desembaraçar o cabelo ainda no chuveiro). Após o banho, tire o excesso de água dos fios com a toalha (sem esfregar), penteie e aplique o creme prolongador e o sérum amassando os cachos com as mãos.

 

O resultado, pelo menos no meu caso, ficou bem natural, com movimento e pouco volume. Se você já usou esse produto, conte aqui a sua experiência.

 

Por Daniela Salú às 20h15
22/10/09

O cabelo da discórdia

Pessoal, como o tema do post anterior rendeu muitos comentários divergentes, achei que valia a pena voltar ao assunto Taís Araújo resgatando alguns aspectos que vocês levantaram.

Concordo que independente da cor da pele (pois o crespo não é exclusividade dos negros) cada um tem o direito de usar o cabelo da maneira que quiser, seja liso, cacheado, com dreads, tranças ou apliques. O que não concordo é dizer que o cabelo liso é mais prático – quando você nasce com ele assim, sem dúvida. Mas para quem tem o fio quimicamente alisado, o trabalho para fazer a manutenção deste cabelo acaba equiparando o cuidado que você teria para mantê-lo ao natural.

Os cabelos crespos, mesmo que não possuam nenhuma química, como tinturas ou alisamentos, precisam naturalmente de mais hidratação, pois a oleosidade produzida pelas glândulas sebáceas encontra dificuldade para atingir todo o comprimento do cabelo, por conta do formato do fio, tornando-o mais ressecado. Quando o cabelo passa por procedimentos químicos essa necessidade de cuidado aumenta ainda mais, pois é impossível realizar um procedimento dessa natureza sem alterar a estrutura do fio.

É inegável dizer que existe uma pressão social e estética a favor dos fios retos, que nos faz desde cedo tentar cuidar do cabelo crespo da forma errada. Cortamos, lavamos, penteamos e secamos o cabelo crespo como se ele fosse liso, e é claro que ele não fica da maneira que gostaríamos. Não temos informação suficiente sobre como cuidar do nosso tipo de cabelo, ao contrário, somos bombardeadas com a ideia de que o liso dá menos trabalho e é mais bonito. Assim, compramos essa verdade e viramos escravas de uma rotina de cuidados e tratamentos que certamente são mais desgastantes para nós e para o fio do que tratá-los da maneira recomendada para o tipo dele.

É claro que isso não impede que homens e mulheres crespos façam seu alisamento químico, chapinha ou escova quando quiserem, só que esta escolha deveria ser tomada por um gosto pessoal, e não por uma pressão social que pede uma padronização que foge completamente às características dos brasileiros. Achar que liso é sinônimo de belo, faz com que o crespo fique sempre marcado como um cabelo “pior”. Repare que, ao saber de um evento importante, a maior parte das mulheres automaticamente se programa para fazer uma escova na data. É como se o cabelo crespo estivesse vetado para ocasiões marcantes, para não ser lembrado em fotos e filmagens.

Colocar uma protagonista de novela das 8 com cabelos cacheados, sejam eles naturais, aplique, babyliss ou peruca, cria um referencial de beleza importante em um país no qual o cabelo naturalmente liso é uma exceção. Crianças, adolescentes e adultos não encontram muitos exemplos de destaque com cabelos naturalmente cacheados ou crespos nos quais possam se inspirar ou se reconhecer. Basta contar por aí, nas capas de revista, nas novelas e programas de TV, quantas pessoas crespas estão em evidência. É por isso que o cabelo de Taís Araújo em “Viver a Vida” está rendendo tanto assunto.

É claro que os cuidados com a imagem da atriz durante a gravação da novela serão muito mais complexos e detalhistas do que o processo de arrumação que a própria atriz deve ter na sua vida pessoal, ou que nós, crespas, teríamos em casa. Temos que ser realistas: a imagem de Taís está sendo exibida em dos produtos de maior destaque da Globo, e há todo um padrão de qualidade estabelecido pela emissora por trás do que vai ao ar para o público. Isso não significa que é impossível ter um belo e saudável cabelo crespo sem toda a parafernália de cuidados que cerca uma atriz de novela. Basta encontrar os profissionais, produtos e hábitos corretos.

Taís está vivendo uma personagem, cujo visual não é escolha dela, mas de outros profissionais envolvidos na novela. Seja qual for a preferência particular da atriz em relação aos seus cabelos, também não é justo colocar em cima dela toda uma responsabilidade pela aceitação dos cachos e crespos pelo país afora. Se o trabalho que ela faz rende frutos positivos na auto-estima das pessoas, ótimo, mas ela não tem a obrigação de ser uma “porta-voz da luta pela naturalidade dos fios”. Assim como a primeira-dama dos EUA Michelle Obama não deve deixar de lado seus fios alisados apenas para satisfazer uma cobrança popular para que ela assuma a sua natureza crespa.

Acho que o mais importante nessa discussão toda é não se sentir obrigada a entrar num formato pré-estabelecido do que é belo, se ele não se encaixa com o que você acredita ser. Simples assim.

Por Daniela Salú às 19h50
16/10/09

A influência de Taís Araújo nas cabeças brasileiras

 

A revista Época desta semana fez uma reportagem intitulada “A volta do cabelo crespo”, na qual, entre outras coisas, destaca que o cabelo de Taís Araújo em “Viver a Vida” estaria influenciando as mulheres a largarem a dupla chapinha/escova em troca da naturalidade dos fios. Bom, se tem uma coisa que lança moda no Brasil, é novela, indiscutivelmente. Tanto é que, antes mesmo de uma nova novela entrar no ar, as revistas femininas já estão numa disputa acirrada pelas principais atrizes para fazer reportagens de moda e beleza.

 

Apesar de ter ficado um pouco decepcionada ao saber que parte do cabelo exibido por Taís Araújo na novela das 8 é aplique, fiquei feliz por terem optado em construir a personagem com as características naturais da atriz. Melhor do que fazê-la artificialmente lisa como a modelo Naomi Campbell ou a cantora Beyoncé – que segundo a reportagem da Época, são adeptas de perucas.

 

Eu realmente torço para que o crespo de Taís Araújo tenha força suficiente para ajudar a libertar tantas mulheres que se envergonham de seus cabelos naturais da escravidão que é o alisamento. No entanto, um trecho da reportagem da revista me faz pensar que essa batalha ainda é bastante árdua, por questões mais profundas do que a simples estética. Um professor, Jorge Alberto Carvalho, que ensina na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, conta: “Costumo perguntar a elas [suas alunas] por que não usam o cabelo naturalmente crespo. Uma vez, recebi a seguinte resposta: ‘Se eu passar henê, eles me chamam de morena; se eu não passar, vão me chamar de neguinha.”

 

Triste, mas real. Somos um país mestiço sonhando com um padrão ideal branco. A respeito ainda desse assunto, também recomendo a leitura do artigo "Crespo é Bonito", de Ivan Martins, que mostra uma visão masculina muito interessante sobre a questão, analisada por um legítimo crespo.

Por Daniela Salú às 11h57
14/10/09

Bom, bacana e barato

Já faz tempo que eu deixei de acreditar em promessas de xampus, ainda mais quando são de marcas populares. Na maior parte das vezes, tendo a acreditar que eles gastam todo o investimento em publicidade e não mexem no principal: a fórmula do produto. Por isso, quando resolvi testar a nova linha da Seda para cabelos cacheados, confesso que fui com o maior ceticismo para o box do banheiro. E, tenho que admitir, fiquei agradavelmente surpresa com o resultado do produto. O xampu não deixou o cabelo seco após o enxágue, e o condicionador é ultrahidratante, e só uma pequena quantidade já da conta de desembaraçar os fios. Já faz cerca de três semanas que venho usando a dupla, que revezo com outra marca (nos próximos dias conto para vocês qual é, pois também estou em fase de teste), e o resultado está me agradando. Sem falar nos preços, que são bastante justos para o que o produto oferece: Xampu: R$ 5; Condicionador: R$ 6,50; Creme de Tratamento: R$ 5,50; Creme para Pentear: R$ 4,05; Serum para Pentear: R$ 9,55.

 

Animada com o resultado, pedi para a assessoria de imprensa da marca para conhecer o Seda Urban Salon, um espaço montado na rua Oscar Freire, em São Paulo, onde a Seda está divulgando seus produtos com nova formulação e linhas específicas para cada tipo de problema. Ao checar no local, o cabelo é examinado por um scanner que aumenta o tamanho dos fios em cerca de 600 vezes. Após a análise, que detecta, entre outras coisas, a oleosidade e a porosidade do cabelo e couro cabeludo, um profissional explica quais são as linhas da Seda mais adequadas ao seu caso, e o resultado do exame é enviado por email para você.

 

Depois, um cabeleireiro faz uma lavagem dupla e aplica um creme de tratamento da linha recomendada ao seu problema, fazendo uma ótima massagem e uma finalização ao gosto do freguês. Segundo a cabeleireira Juliana Marques Padovan, que me atendeu, cerca de 80% das clientes do local pedem para terminar o penteado com a dupla escova/chapinha, mesmo as cacheadas que vão lá para tratar de seus fios curvos. Depois de uma maquiagem rápida, a cliente ganha uma foto com o resultado final do tratamento. A notícia ruim é que o salão só funciona até o dia 31 de outubro, e para ser atendido, é preciso ser convidado – a Seda trabalhou em parceria com a associação de lojistas da região e com a revista Elle para distribuir os convites, no entanto, no dia último dia 8, quando estive lá, me avisaram que todos os horários já estão ocupados até o final do mês – e olha que o salão funciona sete dias por semana, em período integral. Uma pena, mas acho que o esforço da Seda foi válido, pelo fato de realmente ter investido em uma fórmula que atende a necessidade do fio, ao invés de só ficar em belos anúncios como muitas vezes acontece. Para quem quiser saber mais o site do Seda Urban Salon é o http://www.sedaurbansalon.com.br/

Por Daniela Salú às 12h38

Sobre o Autor

Daniela Salú

Daniela Salú é jornalista especializada em beleza. Atualmente cobre as áreas de Casa e Imóveis no portal UOL.

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